Como se faz um presunto de Guijuelo

O processo de produção do presunto de Guijuelo

Desde o momento em que abatemos um porco até que um presunto alimentado com bellotas esteja pronto para consumo, passam entre 28 meses (criado com cereais) e 36 meses (100% alimentado com bellotas). Não há forma de acelerar sem estragar tudo. O processo é sempre o mesmo; apenas a peça e o tempo variam.

1 · Receção e aparamento

As peças frescas chegam dos matadouros certificados de manhã cedo. Cada uma já traz o seu selo inviolável, aposto no matadouro pela Associação Interprofissional do Porco Ibérico (ASICI), com um número único que a acompanhará ao longo de toda a sua vida comercial. Este selo é o que garante que a peça alimentada com bellotas que sai da nossa adega é a mesma peça alimentada com bellotas que chegou crua quatro anos antes.

Cada presunto é aparado à mão: dá-se-lhe a forma tradicional em V, retira-se o excesso de gordura externa e prepara-se para a salga.

2 · Salga

A peça é completamente coberta de sal marinho grosso e empilhada em tinas. Permanece assim cerca de um dia por quilo de peso: um presunto de oito quilos passa oito dias no sal. É um dos processos mais curtos da Europa: a salga mínima é uma das características do presunto de Guijuelo e o que lhe confere o seu baixo teor de sal.

A câmara de salga está a 0-3 ºC com alta humidade. O sal penetra na peça por osmose e expulsa parte da água. Uma vez passado o número de dias necessário, retira-se.

3 · Lavagem e pós-salga

As peças são lavadas com água fria sob pressão para eliminar o sal superficial e colocadas numa câmara de pós-salga, onde permanecem entre 30 e 60 dias a baixa temperatura (3-6 ºC). Nesta fase, o sal distribui-se uniformemente por toda a peça, do exterior até ao osso.

É uma fase silenciosa, sem atividade visível. Mas é aqui que se decide o equilíbrio salino da peça para os anos vindouros.

4 · Secador natural

A magia começa. Os presuntos são pendurados nos secadores, edifícios com grandes janelas orientadas para captar as correntes de ar. Não há aquecimento nem refrigeração. A temperatura e a humidade são reguladas abrindo e fechando as janelas à mão conforme o tempo exterior.

Isto só é possível porque Guijuelo está a mil metros de altitude, nos declives da Sierra de Béjar, com invernos frios e secos, verões curtos e amenos e um regime de ventos constante entre o planalto de Salamanca e os dois sistemas montanhosos que o flanqueiam.

A peça passa entre 6 e 12 meses no secador conforme o tamanho e a categoria. É aqui que o presunto perde grande parte da água que continha, que a gordura começa a redistribuir-se e que as primeiras notas aromáticas aparecem.

5 · Adega natural

Uma vez que o presunto secou o suficiente, desce para a adega. As adegas são a parte mais profunda da fábrica, onde a temperatura é estável todo o ano (entre 10 e 16 ºC) e a humidade é elevada e constante. Os presuntos são pendurados em varões e passam lá o resto da cura.

É a fase mais longa. A cura em adega dura de um ano (paletas criadas com cereais) a mais de três anos (presuntos alimentados com bellotas). É aqui que o presunto completa a sua maturação, que aparece à superfície o bolor branco natural (um bolor nobre e desejável que protege a peça) e que se desenvolvem os aromas profundos e sabores complexos que distinguem um presunto curado de um simplesmente seco.

Cada peça é inspecionada, pesada e sondada durante este período pelos nossos mestres de adega e pelos inspetores da DOP Guijuelo. A sondagem é uma técnica de controlo de qualidade: um osso de cavalo afiado (cala) é inserido em pontos precisos do presunto e cheirado para detetar quaisquer defeitos invisíveis do exterior. Se uma peça falha na sondagem, é desqualificada.

6 · Vitolagem e expedição

As peças que passam todos os controlos recebem a vitola final da DOP Guijuelo, um anel numerado com a data e o número da peça. Esta numeração é o que permite, anos depois, rastrear de que exploração vinha o porco, o que comeu, quando foi abatido e quanto tempo passou em cada fase.

A partir desse momento, a peça está pronta para partir. Expedimos diretamente da fábrica, sem armazéns intermédios, em embalagens específicas para produtos alimentares. A peça que recebem esteve nas nossas instalações desde o primeiro pendurado, sem passar por terceiros.

Tempos de cura reais, produto a produto

Produto Cura mínima
Presunto ibérico 100% bellota 36 meses
Presunto ibérico 75% bellota 36 meses
Presunto ibérico 50% bellota 36 meses
Presunto ibérico cebo de campo 30 meses
Presunto ibérico cebo 28 meses
Paleta ibérica 100% bellota 30 meses
Paleta ibérica 75% bellota 30 meses
Paleta ibérica 50% bellota 30 meses
Paleta ibérica cebo de campo 22 meses
Paleta ibérica cebo 22 meses
Lombo ibérico 70 dias
Cabeça de lombo (cabecero) 75 dias
Salame, chorizo, morcón, longaniza Variável conforme o clima

Estes são tempos mínimos. Muitas peças são curadas por mais tempo se os mestres de adega o considerarem necessário. As peças selecionadas como Summum são as que curaram além do mínimo e apresentaram a melhor evolução organolética.

O que não é necessário

Trata-se de presunto ibérico curado de forma tradicional. Não usamos ácidos, conservantes, corantes, fumo nem realçadores de sabor. Os únicos ingredientes que veem na etiqueta são o porco ibérico, o sal, o conservante E-252 (nitrato de potássio) — também utilizado em queijos curados — e, em alguns produtos cebo, E-301 (ascorbato de sódio), que é vitamina C.

Para fazer bem, só é preciso uma boa peça, um lugar com o clima certo e o tempo necessário. Fazemo-lo assim desde 1890.

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